11 de set de 2010

A culpa e a perfeição.

A culpa é da música. A culpa é dos filmes, dos seriados e das novelas. A culpa é dos livros, das pinturas, de toda a arte. Ou não.

Sim, eles formam parte da nossa subjetividade. Mas, ao mesmo tempo, são formados por ela. Eles nos inspiram na busca da perfeição. Mas só os adquirimos, material e/ou simbolicamente, porque queremos. Sim, há uma certa (enorme) imposição para isso. Mas poderíamos ao menos esquivar das obras que envolvem perfeição de maneira. Pois é disso que a arte fala. Perfeição.

Se for uma comédia a perfeição está no final. Se for uma tragédia, a perfeição está no começo. Se for um filme com Vin Diesel, Kristen Stewart ou Dwayne "The Rock" Johnson, a perfeição está em não assisti-lo. Ainda assim, tudo na arte tem a ver com perfeição. "À procura da batida perfeita".

E a perfeição não existe. Não há absolutamente nada perfeito no planeta. "Perfeição não é uma palavra de robôs, mas uma ilusão humana". Na melhor das hipóteses, perfeição existe enquanto há ausência de informação. Daí surgem o candidato perfeito (na política, no emprego ou na escolha de parceiros eróticos), a música, o trabalho, a religião. Toda a perfeição reside na ausência de informação.

A apresentação da perfeição traz uma agonia de implenitude. Olhar a perfeição é sofrer pela imperfeição.

Então eu penso. Nosso ideal não deveria ser a perfeição. Enquanto for, seremos infelizes ou iludidos. O único ideal desejável é a liberdade. Não que possamos ter uma liberdade plena, "perfeita". Na verdade, a única chance que temos de sermos felizes, mesmo que só um pouco e por pouco, é se reconhecermos nossas limitações.

A única verdadeira liberdade que podemos atingir é conseqüência do reconhecimento da ausência de liberdade que nos constitui. Até então somos absolutamente escravos de nossa ilusão.

A arte tem tanta culpa quanto ela pode ter. E eu não tentei preparar um texto perfeito.

3 comentários:

  1. Tinha escrito um comentário enorme, daí quando fui mandar deu "Service Unavailable" ¬¬

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  2. Gostei muito desse seu texto. Fiquei refletindo sobre e acredito que a gente alimenta mesmo uma suposta ilusão de completude e perfeição.

    Já parou para reparar o quanto somos loucos, estabelecendo todos os dias diferentes padrões de verdade, inverdade; perfeição, imperfeição; sanidade, insanidade... e ainda tratamos como se a cada dia estivéssemos descobrindo a "verdade mais pura", "mais verdadeira", como se caminhássemos a caminho da evolução! Foucault deve se revirar no túmulo... rs

    A própria palavra liberdade determina a negativa "ausência de submissão", o que já pressupõe que para sermos sujeitos livres, devemos estar em estreita ligação com o que "não pode ser" ("Não se sujeite a isso ou àquilo!", "Não seja influenciado!"), ou seja, com o que é feio, pecaminoso (Uma visão absolutamente religiosa - herança burguesa).

    E aos quem se dispõem livrar-se de relações de submissão, só resta seguir o outro lado da história, talvez mais bonito e floreado, mas que ainda assim estabelece um outro padrão: o ideal de liberdade, a perfeição (que aprisiona tanto ou mais que o de reclusão).

    Eu concordo muito com essa sua idéia de que a agonia de implenitude só se opera porque se tem um ideal de perfeição e de liberdade.

    E a maior loucura é que o reconhecimento do limite talvez seja a nossa maior opção de liberdade...

    Louco?!
    Talvez...

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  3. Pois é, o blogspot vive fazendo isso :/
    Obrigado pelo comentário!

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